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AUMENTO DOS CUSTOS DE FRETES DEVE AFETAR AS EXPORTAÇÕES

As maiores transportadoras marítimas que atuam no Brasil – nenhuma delas nacional – estão anunciando aumentos praticamente lineares, de US$ 1.500 por container para 1º de dezembro ou 1º de janeiro para qualquer parte do mundo. Informa-se que suspeita de formação de cartel no frete marítimo já está em análise na Câmara dos Deputados. O prejuízo para o comércio externo será grande, pois mais de 95% das exportações do país são feitas por via marítima.

O caderno especial do MONITOR MERCANTIL, que circulou no início do mês, antecipou o problema. Houve diversas menções ao perigo de estar o país sujeito a companhias estrangeiras de navegação, que, com a crise mundial, a cada dia são em menor número, através de processos de fusão ou atuação conjunta. Disse Ariovaldo Rocha, presidente do Sindicato da Construção Naval - Sinaval: “Não se admite que um país que é a sexta economia do mundo dependa integralmente de navios estrangeiros para sua exportação e importação”.

O presidente da Transroll, Washington Barbeito afirmou: ”Um país com tanta força no agronegócio, em minérios e uma indústria que, apesar da crise atual, é sofisticada, não pode ficar à mercê da boa vontade dos gigantes da navegação internacional”.

Na mesma linha, declarou Meton Soares, presidente da Federação Nacional das Empresas de Navegação - Fenavega, após citar que, nas décadas de 70 e 80, a frota brasileira trazia para casa metade dos fretes gerados no comércio externo: “O comércio externo deve gerar fretes anuais superiores a US$ 20 bilhões, dos quais 0% fica no Brasil. Vai tudo para fora. Isso não é admissível”. Ricardo Falcão, presidente do Conselho Nacional de Praticagem - Conapra citou que o setor está entregue a “armadores transnacionais”.

O tema foi abordado pelo presidente do Sindicato Nacional dos Oficiais de Marinha Mercante - Sindmar, Severino Almeida, para quem jamais haverá equilíbrio no mercado de trabalho sem a participação de armadores nacionais no comércio exterior: “E não se trata aqui de ser contra empresas estrangeiras, mas apenas de ressaltar que um país que quer ser uma potência comercial não pode prescindir de ter marinha mercante atuante, com projeção internacional. O ideal seria que voltássemos a ter, como no passado, marinha mercante brasileira com projeção internacional, presente em toda parte do mundo. Isso seria ótimo, tanto para o Brasil quanto para o profissional de Marinha Mercante brasileiro”.

Também no editorial do caderno especial, o editor declarava: “Não se está abrindo mão da presença estrangeira, que é essencial para o desenvolvimento brasileiro, mas um país com comércio exterior anual de meio trilhão de dólares não pode se dar ao luxo de usar apenas embarcações alienígenas”.

O vice-presidente-executivo do Sindicato dos Armadores - Syndarma, Roberto Galli, dava uma explicação sobre a ausência nacional. Afirmou que os custos da navegação brasileira representam mais do dobro da média internacional: ” Essa situação torna insustentável, no médio e longo prazo, a atividade da marinha mercante no Brasil, se medidas corretivas não forem adotadas como conseqüência de uma nova política para o setor”. E acrescenta: “Chegamos aqui, enfrentando situações desfavoráveis em relação a custos operacionais e de capital, graças à tenacidade dos empresários que acreditam no futuro da Bandeira Brasileira”.

O tema é tão importante que não deveria estar apenas na Câmara dos Deputados, mas também no Senado Federal e, principalmente, na Presidência da República.

Fonte: Monitor Mercantil