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BRASIL PRECISA DE POLÍTICA ÚNICA DE EXPORTAÇÃO, DIZ ASSOCIAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR

O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, afirmou, nesta terça-feira, 15, no Fórum Estadão Brasil Competitivo - Comércio Exterior, realizado nesta manhã, em são Paulo, que no governo "temos políticas isoladas de exportação feitas pelos ministérios e não uma política única" e que o foco das ações são no curto prazo. "Exemplo disso é o Reintegra, que vai acabar. Aliás, se o Reintegra não for prorrogado, podem contestar na OMC que não houve justiça fiscal, mas sim o pagamento de subsídios", criticou.

Castro avaliou que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) tem missão de unificar o comércio exterior, mas não tem poder para fazer isso. "E o Ministério da Fazenda tem o poder de, não a missão de unificação. Por isso é preciso unificar as ações no governo com uma integração", cobrou.

O presidente da AEB avaliou ser necessária ainda a redução do custo Brasil para melhorar a competitividade das empresas de manufaturados, "senão seguiremos como meros embarcadores de commodities", concluiu.

Castro afirmou que País só tem uma alternativa para exportar, que é a marítima, com 96% do volume do comércio externo. "Deveríamos ter portos excelentes, o que não é o caso", criticou.

Primário exportador. Ele citou a alta dependência do Brasil de exportação de produtos primários e ainda do crescimento de importações e manufaturados. "Passamos a exportar mais peso e menos manufaturados".

De acordo com o presidente da AEB, um exemplo disso é o fato de a exportação brasileira ter subido quatro vezes desde 2000 em volume, mas participação no comércio brasileiro no mundial ter avançado apenas 50% no mesmo período. "Somos apenas o 22º exportador mundial apesar de o PIB ser o sétimo", disse."Devemos superar a barreira de US$ 100 bilhões de déficit em manufaturados em 2013", exemplificou.

Castro criticou o foco do Brasil no comércio exterior na África e América do Sul, que significam apenas 6% do comércio mundial, e classificou essa prioridade como uma questão de ideologia.

Ainda sobre a exportação de manufaturados, Ele avaliou que o Brasil "patina", há cinco anos nas exportações de manufaturados, quando foi atingido o pico anual de US$ 92,682 bilhões em vendas externas nesses itens, marca que não foi superada.

Com isso e com o dólar pouco competitivo, o número de empresas exportadoras caiu de 20.889 para 18.630 nos cinco anos "e as importadoras mais que dobraram no período", disse. "A taxa de câmbio derreteu a competitividade de exportação".

Fonte: O Estado de São Paulo