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COMEÇOU A MUDAR

As concessões na área de infraestrutura são, possivelmente, a melhor esperança que o governo tem atualmente para injetar ânimo em uma economia que perdeu o vigor e o brilho. Está completando um ano a espera pela materialização de uma promessa de que 133 bilhões de reais seriam atraídos para remodelar ou construir rodovias, ferrovias e portos que tanta falta fazem à produção no país.

Porém, a preponderância de uma visão historicamente refratária às concessões do PT, o partido da presidente Dilma Rousseff, tem embaralhado de tal forma as negociações prévias aos leilões — especialmente com o intuito de impor limites aos ganhos futuros das empresas concessionárias — que o resultado até agora é que nada foi concedido, nenhuma obra está encaminhada e muita incerteza foi criada entre os possíveis investidores.

Essa pasmaceira contrasta com o que ocorreu no mesmo período nos três aeroportos que, num lampejo raro de lucidez (sob a pressão do caos aéreo), o governo havia concordado em repassar ao setor privado em fevereiro de 2012. A concessão dos terminais de Brasília, Guarulhos, em São Paulo, e Viracopos, em Campinas, já gerou investimento de 2,6 bilhões de reais. Para comparar: em 2011, a estatal Infraero investiu 281 milhões de reais nos três aeroportos.

Mais evidências da diferença que faz a privatização? A reportagem de ­EXAME constatou in loco o ritmo de construção de terminais, estacionamentos, áreas de embarque e pistas. Ao todo, 14 800 operários trabalham para entregar o que está previsto para a Copa do Mundo, em meados de 2014.

Por contrato, as empresas têm até abril para completar um total de 5,9 bilhões em investimentos. Ao contrário do que ocorre em obras tocadas pelo governo, as concessionárias atuam sob uma severa regra para manter os prazos — multa de 1 milhão de reais por dia de atraso. Não é que os três terminais tenham subitamente se tornado excelentes — longe disso. Porém, mais coisas aconteceram por lá em nove meses do que em muitos anos pré-concessão.

“São empresas diferentes, com cronogramas diferentes, mas é fato que as três estão fazendo investimentos de forma muito rápida”, diz o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil, Marcelo Pacheco dos Guaranys. Os resultados não estão sendo obtidos sob céu de brigadeiro.

O aeroporto de Guarulhos, o maior do país, passou por um grande teste em julho.

Fonte: Portal Exame