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É PRECISO TER CORAGEM DE DIZER NÃO

Ficamos muito satisfeitos com a repercussão do artigo publicado na edição de setembro do Informativo Sem Fronteiras, da Editora Aduaneiras, intitulado “Valorização das Atividades do Despachante Aduaneiro”, onde demonstro uma situação de nosso dia a dia, na qual o cliente questiona as responsabilidades do despachante aduaneiros, assim como o recolhimento de nossos honorários. Recebemos comentários positivos de diversas partes do País, uma vez que a publicação circula entre os profissionais que atuam no segmento, no Estado de São Paulo, e também nas entidades e nas empresas de todos os portes do setor em âmbito nacional.

Dentre as manifestações, registramos a recebida do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros do Estado do Ceará - SINDACE, que nos parabenizou pelas “colocações lúcidas e legítimas”; do Sindicato da categoria em Pernambuco, SINDAPE, que acrescentou ainda a observação de que a desvalorização se dá por conta dos maus profissionais que infelizmente ainda se utilizam de práticas desfavoráveis à categoria. Outro apoio veio do presidente do Sindicato do Rio Grande do Sul - SIDAERGS, Lauri Kotz, ressaltando que “estamos todos no mesmo barco e na mesma luta pelo reconhecimento das nossas fundamentais atividades para o crescimento do País”.

Até mesmo o diretor da Interface Engenharia Aduaneira, Fabio Fatalla, mencionou o texto ao citar que a situação abordada no artigo, reconhece que “sem dúvida, os despachantes aduaneiros têm grandes responsabilidades”.

Nossa Entidade não tem condições de avaliar proposta por proposta ou mesmo de sugerir adequações aos contratos, da forma como gostaríamos, a fim de garantir sempre as melhores práticas aos nossos associados. O que temos observado, não só entre nossos clientes, mas nas empresas de forma geral, é a grande rotatividade no mercado, na qual os gerentes de exportação e importação, responsáveis pela contratação dos despachantes aduaneiros para realizar os despachos, estão sendo substituídos pelos compradores e vendedores que, além de negociar as compras de produtos, exercem esse papel sem ter conhecimento adequado de nossas atividades.

Sem contar as famosas concorrências abertas por multinacionais em nosso País que, em determinadas etapas das operações e por desconhecimento, acabam afastando os despachantes aduaneiros que atendiam essas empresas há muitos anos, em troca apenas de oportunidades comerciais. Prática esta que distorce as informações sobre a obrigatoriedade dos recolhimentos dos honorários do despachante aduaneiro e das responsabilidades que os mesmos assumem.

No entanto, nós despachantes aduaneiros precisamos ter a coragem, mesmo que correndo riscos, de dizer não aos clientes quando nos forçam a aceitar tais situações ou reduzir nossos valores com o intuito de acompanhar propostas de multinacionais que abrem mão do correto recolhimento dos honorários do SDA, regulamentado pelo Decreto-lei nº 2.472, de 1988, tendo em vista que estas empresas conseguem posteriormente recuperar os valores na própria cadeia logística.

Devemos, acima de tudo - e o Sindasp tem lutado para que isso ocorra sempre -, reconhecer o valor de nossas atividades e as responsabilidades a nós atribuídas, para que possamos proporcionar condições de manter a qualidade e a excelência das nossas atividades fundamentais ao crescimento e fortalecimento do comércio exterior brasileiro.

Valdir Santos
Presidente do Sindasp