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FALTA DE DRAGAGEM LEVA DOCAS A REDUZIR CALADO NO PORTO DE SANTOS

O calado máximo dos navios que operam no Porto de Santos foi reduzido, ontem, para 12,3 metros – podendo chegar a 13,3 metros com a maré alta. A decisão foi tomada pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp, a Autoridade Portuária) por conta do assoreamento e da falta da dragagem de manutenção nos trechos já aprofundados. Com a diminuição, usuários se queixam de prejuízos financeiros e da degradação da imagem do maior porto da América Latina no mercado internacional.

De acordo com o secretário de Infraestrutura Portuária da Secretaria de Portos (SEP), Thiago Barros, a Docas pode, nos próximos dias, contratar uma empresa para executar emergencialmente a dragagem de manutenção. A expectativa da estatal é eliminar os pontos mais críticos de assoreamento em 15 dias.

Quando concluída a intervenção, será feita uma batimetria (verificação das profundidades) e os resultados serão avaliados para que o calado máximo dos navios volte a ser de 13,2 metros.

A comunidade portuária foi informada sobre a restrição ontem, pela Codesp. Apesar dos pontos de assoreamento estarem localizados apenas no Trecho 1 do cais santista, que vai da barra até o Entreposto de Pesca, todo o Porto será afetado – uma vez que todas as embarcações passam, obrigatoriamente, por esta região.

No ano passado, após a conclusão da dragagem de aprofundamento do canal de navegação (calha central) no Trecho 1 do cais santista, foi verificada a profundidade de 14,9 metros na região. Com a margem de segurança estabelecida pela Marinha, navios com fundura de até 13,2 metros - e um metro a mais com a maré alta -, foram autorizados a operar no complexo, pelo menos até a última quarta-feira.

Apesar da decisão da Docas ter surpreendido a comunidade portuária, o imbróglio que envolve a dragagem de manutenção no Porto de Santos se arrasta há meses. A confusão começou no ano passado, quando o consórcio Draga Brasil, responsável pelo aprofundamento e pela manutenção das profundidades no canal, interrompeu as operações e pediu um aumento no preço definido para o serviço. O pleito não foi aceito e o contrato, encerrado no dia 21 de dezembro.

Nenhuma empresa foi contratada para continuar a atividade. Isso ocorreu pois a SEP decidiu unificar os contratos de dragagem de manutenção do canal do Porto, dos berços de atracação e de seus acessos (as chamadas bacias de evolução, região que fica entre a calha central e os pontos de atracação).

A Secretaria de Portos era responsável apenas pela dragagem do canal de navegação. O aprofundamento das bacias de evolução e dos berços estava sob a responsabilidade da Codesp. Com a unificação, uma única empresa será contratada por R$ 550 milhões para executar os serviços por três anos.

De acordo com o secretário de Infraestrutura da SEP, o edital para a execução das três obras será publicado na primeira quinzena do próximo mês. A abertura das propostas deve ocorrer na primeira quinzena de março.

“O processo licitatório já passou da primeira etapa, que foi a consulta pública para a definição do termo de referência. Seis empresas contribuíram e a agora será elaborada uma nota técnica”, explicou Barros.

Sinais 

Segundo Carlos Alberto de Souza Filho, diretor da Praticagem de Santos, ]os práticos (profissionais que orientam os oficiais de navios na navegação pelas áreas portuárias) que atuam no complexo santista já haviam percebidos os efeitos hidrodinâmicos causados pelo assoreamento do canal de navegação.

Dificuldades de controle das embarcações, principalmente em curvas, exigiram uma dose extra de cuidado. A informação foi transmitida à Marinha e à Codesp no final do ano passado.

Segundo Souza Filho, os riscos de encalhe de navios seriam grandes, caso a decisão de reduzir o calado não tivesse sido tomada. “Assim como todos, ficamos tristes com a redução, principalmente pelas repercussões econômicas que ela traz. Mas a natureza do nosso trabalho é manter a segurança e, sob esse ponto de vista, a medida de redução de calado foi muito acertada”, destacou o diretor da Praticagem.

A decisão de restringir o calado foi tomada após o alerta da Praticagem e depois de uma batimetria encaminhada pela SEP, informou o capitão dos portos de São Paulo, capitão-de-mar-e-guerra Ricardo Fernandes Gomes. Em 15 dias, Codesp e Marinha se reunirão novamente. Se o canal for dragado e as batimetrias mostrarem um aumento da profundidade, os calados máximos voltarão aos 13,2 metros.

Fonte: A Tribuna